Como resolver os problemas familiares gerados pela vida escolar?

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A família é, para a constituição humana, a primeira e principal fonte de transmissão de crenças, cultura, linguagem, leitura de mundo e formas de relacionamento. Ainda que a escola tenha papel importante no processo formativo (especialmente profissional), a formação humana é muito mais que conteúdos escolares, ela é carregada de elementos subjetivos que compõem nossa forma de ser e estar no mundo, e estes elementos são apreendidos, sobretudo, no seio familiar.

Ao adentrar a vida escolar, espera-se que a criança disponha de interesse, curiosidade e vontade de aprender. Que tenha sucesso, boas notas, seja bem vista e aprovada como estudante (e sujeito), tanto pela escola, quanto pela família, ou seja, a criança é inundada pelas expectativas dos adultos. Porém, a vida escolar, assim como a vida em si, não é feita somente sucessos e satisfações.

Ela está sujeita a desafios, conflitos e decepções que abalam a criança, mas que tendem abalar muito a família, quando acionada para resolução dos impasses escolares. Neste momento, as questões escolares podem se transformar em problemas familiares. 

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“A família é, para a constituição humana, a primeira e principal fonte de transmissão de crenças, cultura, linguagem, leitura de mundo e formas de relacionamento.”

Como lidar com problemas familiares decorrentes de questões escolares?

Primeiramente, as questões escolares não precisam gerar conflitos em casa, se estão gerando, algo pode não estar bem. E as causas podem residir tanto nas divergências entre o casal em relação a educação dos filhos, quanto nas dificuldades ou disfunções de aprendizagens, além de comorbidades (psicopatológicas ou não) que desencadeiam comportamentos, déficits ou queixas escolares. 

Os problemas familiares atingem fortemente as crianças, ainda que os adultos procurem não demonstrá-los diante delas, pois elas têm uma percepção bastante apurada. Intuem quando algo não vai bem e geralmente sentem-se culpadas ou com medo.

Breve estudo de caso

A criança que não queria ir para a escola porque percebia a mãe exausta com o irmão recém-nascido. Em atendimento revelou que tinha medo que algo ruim pudesse acontecer na sua ausência. Após o feedback, a mãe pode perceber e fazer algo que mudou toda aquela situação, até a criança se sentir, novamente, segura em ir para a escola.

Assim como apontam diversos estudos, podemos verificar que da mesma forma como o estresse e psicopatologia dos pais podem implicar em problemas de comportamento das crianças, a qualidade das relações familiares podem ser um fator de proteção para o surgimento de problemas psicológicos na mesma. (Rohenkohl & Castro, 2020). 

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“[…]qualidade das relações familiares podem ser um fator de proteção para o surgimento de problemas psicológicos na mesma .

“Ninguém faz nada”, será?

Outro ponto importante na solução de conflitos, é a forma como olhamos para ele. Quanto mais catastrófica parecer a situação, pior será a maneira como lidamos com ela. Pensamentos como: “ele/a não aprende”, “é sempre a mesma coisa”, “a escola não faz nada”, “a família não faz nada”, são as estruturas do que virá depois: sentimentos de raiva, desânimo, desistência, que vão gerar comportamentos impulsivos, agressivos e/ou de resistência. É impossível se sentir confiante ou determinado com pensamentos assim. Que tipo de estímulo estaria sendo reportado para criança?

Emoções “a flor da pele”, desencadeadas por pensamentos negativos, pedem reações alinhadas e tendem a aumentar os conflitos. Assim, o que era uma questão escolar, acaba provocando desgastes familiares, afetivos e emocionais. 

A forma que você vê a situação influência a forma que você a encara

Como adultos, nossa primeira tarefa na solução de conflitos é identificar que tipo de leitura se faz da situação. Se transformarmos cada pensamento como os citados acima em perguntas, podemos ter maior clareza da forma como pensamos: “Ele/a não aprende?” “É sempre a mesma coisa?” (Sempre?), “a escola não faz nada?” (Nada mesmo?), “A família não faz nada?” (nada mesmo?). São exemplos de pensamentos generalizantes, eles têm a função de manter a pessoa no conflito com a sensação de estar com a razão. Estes pensamentos, chamados pela Terapia Cognitivo Comportamental de “pensamentos automáticos”, dificultam a resolução de conflitos e têm um efeito bastante negativo, tanto para a pessoa quanto para seus relacionamentos.

E quando alguns pensamentos se mostram afirmativos e corretos? Como, por exemplo: “a criança apresenta dificuldades para aprender! ”, então chegou a hora de verificar o que acontece com a criança (a família e/ou a escola). Devemos ter o cuidado de não culpabilizar as crianças por aquilo que elas ainda não têm condições suficientes para lidar, seja frustração, raiva, medo, ansiedade.

Uma ferramenta possível: psicoterapia

Neste sentido, a psicoterapia é uma forma bastante eficaz para promover tanto a consciência sobre que atua nas relações familiares ou escolares, quanto na oferta de “ferramentas” para que a criança possa dar conta de suas demandas no espaço escolar e/ou familiar. 



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“[…]a psicoterapia é uma forma bastante eficaz para promover, tanto a consciência sobre que atua nas relações familiares ou escolares, quanto na oferta de “ferramentas” para que a criança possa dar conta de suas demandas no espaço escolar e/ou familiar. “

Analisando as relações

É preciso também analisar as relações escola-família (vice-versa). Neste sentido, vale ressaltar que a família não é uma adversária do processo educativo, quando vista assim pela escola, a mesma cria uma barreira na relação com a criança e sua família. Atrás de cada criança tem sua família com sua cultura, crenças, histórias e visões de mundo, que podem divergir (e muito) das compreensões de vida dos agentes escolares.

Compreender e respeitar cada família dentro de sua constituição, pode ser o primeiro movimento em direção do acolhimento da criança em sua totalidade. Somente com uma postura assim a família se sentirá segura e respeitada para se abrir para algo novo sugerido pela escola. 

No atendimento infantil, de qualquer área, é imprescindível que o profissional identifique sua postura e “pré-conceitos” em relação a família que atende. Com a abertura necessária, é possível enxergar o todo e ajudar efetivamente. Porém a ajuda também dependerá da receptividade de quem a solicita. 

Os adultos definem como gerir a situação

Enfim, estudar não precisa ser estressante e o ambiente familiar pode contribuir muito para isso. Somos nós adultos que definimos como lidar com as situações difíceis com relação as crianças. Quando aprendemos a controlar nossas emoções e comportamentos, ensinamos nossos filhos outras formas de lidar com problemas e dificuldades. Nem sempre estaremos suficientemente dispostos ou disponíveis para compreender uma situação estressante no exato momento em que ela acontece, e isso faz parte do processo de mudança de ideias e comportamentos já conhecidos.

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Quando vivenciamos uma situação nova ou inesperada, nossa tendência é responder de forma automatizada. Aprender a reestruturar a nossa forma de pensar e (re)agir, pode ser altamente estimulante na medida em que experimentamos seus benefícios. Todos aprendem e se beneficiam coletiva e individualmente de tais aprendizagens. Esta é uma maneira bastante eficaz de lidar com problemas familiares de qualquer ordem (escolar, relacional, comportamental), com grande resolutividade para a vida cotidiana. 


Referências: 


Suzan Alberton Pozzer é natural de Jaraguá do Sul (SC) e atualmente, mora em São José na Grande Florianópolis onde possui seu consultório. Mestre em educação pela UFSC e é doutoranda em educação pela Universidade de Salamanca – Espanha. Formada em psicologia, especialista em psicopedagogia institucional e possui formação em terapia cognitiva comportamental.
Endereço do consultório: Av. Leoberto Leal 1235. Barreiros. São José. Santa Catarina.
email: suzan.psico@gmail.com


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