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Por que estudar filosofia?

A vida é um percurso repleto de descobertas, novas experiências, autoconhecimento e também algumas crises. A cada etapa percorrida nos questionamos sobre os novos mundos que se abrem, e, com eles, sobre os novos saberes e desafios com os quais nos deparamos. Ressaltamos um que todos parecem saber o que é, mas que, geralmente, ninguém sabe dizer para que serve: a filosofia. A palavra filosofia deriva do grego e significa, em tradução livre, amor à sabedoria. Mas de qual tipo de amor estamos falando? Seria a filosofia uma espécie de devoção ao conhecimento?

Há vários tipos de amor. Dentre eles, há um que pode durar uma vida toda, que se renova a cada etapa da vida, que cresce e se consolida. A este, pelo qual é possível traçar laços fortes e duradouros com várias pessoas, damos o nome de “amizade”. A filosofia é, desse modo, uma amizade. Uma vez que nos tornamos amigos do saber, passamos a ter uma estreita relação com o questionamento e com a busca por respostas, isto é, com a construção do conhecimento.

É assim que compreendemos o sentido do termo amor contido na palavra filosofia. Adentrar no mundo da filosofia é percorrer um longo caminho, do qual não é possível sequer vislumbrar um fim. Aí está uma das grandes belezas da filosofia: sua prática é sua própria finalidade, o pensamento é o caminho que será percorrido – ou seja, o filosofar é, em si mesmo, a própria filosofia.

Imaginemos esse caminho como uma sinuosa trilha no meio de uma densa floresta. Assim como precisamos de guias para não nos perdermos, a história da filosofia será o nosso mapa, no qual aparecerão diversas possibilidades de rotas – caminhos já trilhados por outras pessoas, com descrições do percurso percorrido, mas que jamais darão conta de toda a complexidade da floresta. É preciso, pois, experimentar caminhos já trilhados antes de criarmos a nossa própria direção.

Encontraremos obstáculos capazes de nos paralisar, mas também lindas paisagens, água fresca e sombra para o descanso. A escuridão típica da densidade das árvores coexistirá junto às repentinas clareiras – por meio das quais os instantes de lucidez brilharão irradiados pela luz do sol. Assim é o caminho da filosofia: uma aventura do pensamento em meio a diversas possibilidades de interpretar e conceber a vida e a realidade que nos cerca.

Nem é preciso dizer que todo novo caminho exige coragem – a medida certa entre a covardia e a temeridade, o alimento que abastece a vontade de descobrir e de viver, o que nos faz compreender quem somos ainda que com todas as dúvidas sobre nós mesmos e com todas as incertezas que nos cercam.

Quando dizemos que o filósofo é o verdadeiro amigo do saber, queremos enfatizar o companheirismo envolto na concepção de vida filosófica. Como um amigo que segura a nossa mão nos momentos de aflição, a filosofia nos ampara na solidão dos instantes em que nos pegamos questionando os inúmeros porquês que constituem a existência.

Descobrir o mundo e experimentar novas sensações é algo, portanto, que não se restringe a um momento específico da vida. Assim como a busca pelo autoconhecimento é um caminho sem fim, a atividade filosófica pode ser exercida em qualquer fase, basta ter coragem para se debruçar sobre os temas, os problemas, as reflexões e os pensamentos com os quais já diariamente convivemos.

Contudo, ao contrário do que podemos inicialmente imaginar, não basta querer entrar nesse caminho, é preciso sentir um chamado à filosofia. O que está em jogo não é querer ou não querer. Se você busca respostas para infindáveis perguntas, ou se você possui perguntas para tudo que lhe cerca, você pode se considerar um vocacionado à filosofia – o único campo de investigação que faz com que o pensamento se volte para si mesmo, para nós mesmos e para o mundo.

Filosofar é aprender a conduzir o pensamento por um caminho – evitando a escuridão da incompreensão e buscando a clareira da lucidez que apenas a reflexão filosófica proporciona.


Indicações para jovens leitores e para todos aqueles que se sentem vocacionados a entrar no caminho da filosofia

  • Convite à filosofia (Marilena Chauí)
  • Filosofia e filosofias: existência e sentidos (Juvenal Savian Filho)
  • Filosofando: introdução à filosofia (Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins)
  • A filosofia a partir de seus problemas (Mario Porta)

Sobre a autora

Deborah Moreira Guimarães é doutoranda em Filosofia pela UNIFESP. Atualmente, pesquisa temas relacionados à fenomenologia hermenêutica. Sentiu-se vocacionada a trilhar o caminho da filosofia no terceiro ano do ensino médio, quando, já decidida a cursar farmácia, teve contato com a obra “Discurso do método”, de Descartes.
“Foi uma mudança radical, mas posso dizer que a filosofia é, hoje, o horizonte de sentido de todos os meus caminhos na vida. Não foi apenas uma decisão, foi um verdadeiro encontro”.


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