Poesia é melhor do que autoajuda? - Busca Prof Artigos

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poesia mais eficaz do que livros de autoajuda

Especialistas da área de humanidades realizaram uma pesquisa na Universidade de Liverpool (Inglaterra) com trinta participantes, e descobriram que a poesia pode ser mais eficaz do que livros de autoajuda. Segundo os resultados, ler obras clássicas e desafiadoras podem fornecer um impulso mais estimulante para o cérebro. Isso porque, uma leitura mais provocadora com palavras incomuns e frases complexas tem um efeito benéfico sobre a mente proporcionando momentos de reflexão, segundo os estudiosos. 

A pesquisa descobriu que a poesia, em particular, aumentou as conexões cerebrais do hemisfério direito do cérebro. Essa área, segundo os cientistas, está relacionada com a “memória autobiográfica” e com o da “emoção”, as quais ajudam o leitor a reavaliar e refletir sobre suas próprias experiências. Para o professor que atuou no centro de ressonância da universidade, Philip Davis, “a literatura pode atuar como um foguete para o cérebro” e tem o poder de “mudar os caminhos mentais, criar pensamentos, formas e conexões em jovens e velhos”. 

 poesia mais eficaz do que livros de autoajuda autores
William Shakespeare e Ferreira Gullar.

Por onde começar?

Se há tantos benefícios assim na leitura de poemas, por onde podemos começar? Não há uma fórmula mágica e não há uma idade para desenvolver o gosto por poesia. Segundo um grande poeta, para se aproximar da poesia o essencial é “uma aprendizagem de desaprender” (Fernando Pessoa).

A poesia nos ensina sobre um ritmo desacelerado, contrário ao ritmo da urgência global. Ela nos ajuda a ir contra a permanente busca de precisar “ser alguém”. Afinal, quem de nós nunca buscou sua própria utilidade e resultados nesse mundo?

A poesia nos ensina ainda que não tenhamos o intuito de aprender. O encontro com ela acontece ao acaso – em um verso de um poema, num pensamento que leva a se emocionar e a enxergar o mundo de um modo diferente – “uma aprendizagem de desaprender”. O reconstruir daquilo já conhecido. É isso que acontece quando lemos um poema e nos atentamos para o contemplar das palavras. O gosto se constrói conforme o leitor vai aumentando o repertório de leituras. 

 poesia mais eficaz do que livros de autoajuda-quadro
Almeida Junior (1850-1899) Leitura.

Para você que busca um estímulo com as palavras, ou está disposto(a) a melhorar seu hábito-leitor, por que não começar com uma pequena porção de poemas? Um momento diário com a leitura nos ajuda a dar um tempo da agitação e do estresse e, mais importante, cria um lugar de encontro conosco. Deixamos aqui algumas sugestões de poemas e poetas para você começar com sua leitura!

 poesia mais eficaz do que livros de autoajuda- autores
Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Cecília Meireles.

Dicas de leitura:

  • Adélia Prado (1935-) – poeta mineira. Poemas: “Com licença poética”, “Dolores”, “Atalho”, “Um silêncio”. 
  • Cora Coralina (1889-1985) – poeta de Goiás. Poemas: “Poema do milho”, “Todas as vidas”, “Antiguidades”, “Meu destino”, “Amigo”, “Lua-Luar”.
  • Cecília Meireles (1901-1964) – poeta carioca Poemas: “Ou isto ou aquilo”, “Motivo”, “Despedida”, “Retrato”, “Reinvenção” 
  • Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) – poeta mineiro. Poemas: “No meio do caminho”, “Quadrilha”, “Amar”, “Destruição”, “Receita de Ano Novo”.
  • Ferreira Gullar (1930-2016) – poeta do Maranhão. Poemas: “Traduzir-se”, “Poema sujo”, “Cantiga para não morrer”, “Não há vagas”, “Cantada”
  • Fernando Pessoa (1888- 1935) – poeta português. Poemas: “Autopsicografia”, “Poema de linha reta”, “Presságio”, “Para ser grande”.
  • João Cabral de Melo Neto (1920-1999) – poeta pernambucano. Poemas: “O Relógio”, “Difícil ser funcionário”, “Uma faca só lâmina”, “Morte e vida Severina”
  • Manoel de Barros (1916 – 2014) – o poeta das miudezas. Mato Grosso, Cuiabá. Poemas: “O menino que carregava água na peneira”, “O apanhador de desperdícios”, “O fazedor de amanhecer”, “O livro sobre nada”.
  • Marcelo Labes (1984-) – poeta de Blumenau, Santa Catarina. Poemas: “Vento sul”, “Suponha-se o amanhã”, “Enclave”.
  • Lucinda Persona (1947-) – poeta do Paraná Poemas: “Calabouço”, “Estrelas”, “Modo velho de acordar”, “Vazio”, “Um fato de todos os dias”.
  • Roseana Murray (1950-) – poetisa Carioca  Poemas: “Fronteira”, “Corpo e Amor”, “Colo de Avó”, “Pote com o brilho da felicidade”.
  • Thiago de Mello (1926-) – o poeta da floresta. Amazonas, Barreirinha. Poemas: “Faz escuro mas eu canto”, “Mormaço de primavera”, “Ítaca”, “Para os que virão”, “As ensinanças da dúvida”, “Muro invisível”.

Referências:

  • “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). Disponível em: <http://arquivopessoa.net/textos/1172> Acesso em: 25/02/2020.

Jolie Antunes da Cunha é professora formada em Letras, Português/Inglês, pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente pesquisa poesia na área de Literatura Infantil e Juvenil em documentos e materiais curriculares junto ao programa de pós-graduação da USP. Atuou durante anos com o ensino infantil e fundamental. Trabalhou em escolas com projetos literários e com o ensino de línguas. 

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