Ciência: Por que você deveria se interessar? - Busca Prof

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“A Terra é plana e a Ciência comprova!”, “Estudos científicos apontam que autismo e outras problemas são causados pelas vacinas.” Apresentei tais notícias de blogs da internet à uma turma de alunos na qual eu discutia questões relacionadas a como trabalhar a disciplina de Ciências em sala de aula. Muitos caíram na risada, não acreditando no que os seus olhos estavam vendo. Perguntei quantos seriam capazes de dar uma explicação, com base em dados confiáveis, a alguém que acreditasse seriamente em tais ideias. Ninguém levantou a sua mão. 

ciência terra redonda

A seguir, apresentei uma notícia a respeito dos lamentos de uma mãe que perdeu sua filha para uma doença que poderia ter sido facilmente prevenida através de uma vacina. Infelizmente, ela acreditou em falsas informações que se veiculavam como “científicas” na internet, a respeito de vacinação ser prejudicial e não benéfica às crianças. 

Vivemos em um mundo em que há um grande apreço pela Ciência. Para algumas pessoas, se algo é dito ser “científico”, então está além de qualquer grau de dúvida. É por isso que muitos tentam vender seus produtos ou ideias com o mantra de que “está cientificamente comprovado!” Uma anedota reza que “os cientistas descobriram que as pessoas acreditarão em qualquer coisa quando você disser que os cientistas descobriram”.

Afinal, o que é ciência?

Mas o que é Ciência? Como se constrói um conhecimento cientifico? Em sua obra best-seller “O que é Ciência, afinal?”, o filósofo Alan F. Chalmers apresenta diversas tentativas de resposta… apenas para concluir que nenhuma proposta é abrangente o suficiente ou isenta de problemas. Mas não se preocupe, não vou deixar você no vácuo!

“Ciência” vem do latim “scientia”, palavra que que significa “conhecimento”. Apesar de a pergunta e as respostas serem complexas, podemos seguir aqui a Aristóteles, o qual definiu a Ciência como um “conhecimento demonstrativo”. Diferentemente de uma mera opinião ou “senso comum”, o conhecimento científico é aquele que pode ser fundamentado através de observações, análises e experimentos, levando em conta diversas hipóteses sobre um determinado questionamento. 

ciência Aristóteles

A ciência e suas divisões

A Ciência é uma área bastante vasta e seu foco de atuação é separado de acordo com a natureza do conhecimento em questão. Por isso, fala-se em Ciências “Exatas”, “Sociais”, “Humanas”, dentre outras. Embora nem todas utilizam os mesmos métodos, elas mantêm o rigor do caráter científico em suas pesquisas e observações. O foco nesse artigo será especialmente as Ciências da Natureza. 



O escopo da Ciência não é ilimitado. Como disse Galileu, a Ciência pode nos dizer “como vai o céu”, mas não “como se vai ao Céu”, delimitando papeis para a Ciência e a Teologia. Os cientistas buscam descobrir leis naturais a fim de explicar o funcionamento do universo físico e das coisas em geral. O conhecimento científico é produzido a partir do “método científico”. Este se baseia em observações, medições, análises e classificações, procurando entender os fatos e discuti-los a partir de uma linguagem matemática. 

nascimento da ciência

O método

De maneira geral, o método cientifico segue uma ordem (que nem sempre é assim tão rígida). Um fenômeno natural é observado, o que gerará a elaboração de uma pergunta-problema. O cientista levantará hipóteses a fim de tentar responder à pergunta, as quais são suposições que podem ser verdadeiras ou falsas. Como saber? Através de experimentos bem planejados. A experimentação produzirá resultados, que serão analisados pelos pesquisadores e conduzirão a uma conclusão. A conclusão pode validar ou invalidar a hipótese inicial. Se a hipótese se demonstrar equivocada, paciência! O jeito é pensar em novas hipóteses e continuar o processo investigativo. 

Ao final, o objetivo do cientista não é ficar com aqueles dados para si, guardados em um cofre. O conhecimento é produzido para ser divulgado! Um artigo cientifico, apresentando os dados e as conclusões da pesquisa será escrito e enviado para publicação em revistas especializadas da área de conhecimento. Antes da publicação, ocorrerá um processo chamado peer-review (ou revisão por pares), onde outros pesquisadores da área avaliarão anonimamente o trabalho, fazendo comentários ou sugerindo revisões, contribuindo para a qualidade do texto a ser publicado.

Há um conhecimento infalível?

Vale destacar que o conhecimento cientifico não é absoluto e final, mas considerado sempre transitório. Pense que você tem em mãos cerca de 50 peças de um jogo de quebra-cabeças de 1000 peças e tenta imaginar a imagem completa a ser montada, sem tê-la visto antes. Mas à medida que você vai obtendo mais peças, aquela sua imagem mental inicial pode ser melhorada, corrigida ou mesmo descartada. Da mesma forma, à medida que vamos reunindo mais informações do mundo natural ou aperfeiçoando nossos aparelhos e instrumentos de pesquisa, podemos descobrir que algumas ideias mantidas anteriormente precisam ser aperfeiçoadas ou até mesmo trocadas por outras. 

ciência universo

Há pessoas que fizeram contribuições fantásticas à Ciência e até mesmo fundaram ramos do conhecimento. Muitos consideram o astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) o “pai da Ciência Moderna”. Ele desenvolveu um método baseado na experimentação científica, fez observações astronômicas fantásticas e trabalhou pela popularização do conhecimento. Além dele, há muitos outros nomes que valem a pena conhecer.

Costumava fazer uma atividade com alunos da Educação Básica, pedindo para eles citarem cientistas que conheciam. Logo, surgiam alguns nomes (os quais eu ia escrevendo no quadro): Galileu. Newton. Darwin. Aquele da língua pra fora (isso, Einstein). No final, pedia para os alunos fazerem uma avaliação geral dos nomes no quadro. Alguém logo se dava conta: há apenas homens listados. Outro também dizia: são todos europeus/estrangeiros. Bingo! 

Mulheres na ciência

mulheres vacina

Então eu dizia: não há mulheres cientistas? Claro! Marie Kurie, Rosalind Franklin, Jane Goodall, Rachel Carson, apenas para citar alguns nomes. E não há cientistas brasileiros? Claro! César Lattes, Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Vital Brazil, para citar outros. E concluía: não pensem na Ciência como algo feito por pessoas de outra época ou outro “mundo”. Se desejarem seguir na área, acredito no potencial de cada um de vocês para fazerem grandes contribuições ao conhecimento humano.

O cientista não é um super-herói ou um ser “sobre-humano”. Ele também se machuca, sua, chora às vezes (e até mais do que diz “Eureka!”). Mas o que caracteriza qualquer cientista é a sua curiosidade. Ele olha para o mundo e faz perguntas, muitas perguntas. Como as coisas funcionam? Por que as coisas são assim e não de outro jeito? O que aconteceria se…? E então, vai atrás de respostas.

As grandes descobertas

A Ciência é importante. Ela não apenas nos permite desbravar o universo que nos cerca, mas pode melhorar a nossa qualidade de vida. Ela trabalha na erradicação de doenças e produção de medicamentos, na produção de alimentos, na geração de energia, na melhoria das condições sanitárias, entre tantas outras coisas. Mesmo a tecnologia (que lhe possibilita ter um notebook, aparelho celular e acesso à internet) existe como uma aplicação dos conhecimentos da Ciência básica. 

ciência satélite

Por isso, mesmo que você não seja ou não queira se tornar um cientista, tenha a Ciência em uma boa posição. Conheçamos um pouco da produção científica de nosso país e trabalhemos juntos para que haja uma maior valorização dos profissionais e investimentos públicos adequados na área. 

Dicas de leitura

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ciência Fabrício LOvato

Fabricio Luís Lovato é professor no IFSul – Câmpus Visconde da Graça (CaVG) – Pelotas. É Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas (UFSM), Mestre em Bioquímica Toxicológica (UFSM) e Doutor em Educação em Ciências (UFSM).

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