A prática docente durante a quarentena no Brasil - Busca Prof

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Como compreender a prática docente durante a quarentena causada pela pandemia do novo coronavírus? As diversas soluções das redes de ensino público e privado do Brasil para manter uma rotina básica de atividades fora do ambiente físico da escola são eficazes?

Para responder a estas questões é preciso desenvolver um olhar apurado sobre as particularidades da atual configuração do ensino e as responsabilidades que recaem sobre a docência. Com as aulas presenciais suspensas, a prática docente, durante a quarentena, consiste na árdua tarefa de adaptar uma experiência que poderá resultar em algum tipo de aprendizagem para os (as) estudantes. Do mesmo modo, essa experiência tão diversificada representa o risco de aumento da desigualdade entre as escolas públicas e privadas no país.

a prática docente durante a quarentena

Em outras palavras, os(as) professores(as) estão sendo postos para executar conteúdos programáticos com os recursos que têm disponíveis, sem preparo prévio e, muitas vezes, em condições precárias. Portanto, não cabe à cobrança de domínio de técnicas ou ideias de manutenção de um ensino a distância problemático e às vezes até inexistente, movido muitas vezes, apenas para o cumprimento de normas. 

Atividades emergenciais

Da mesma maneira, as atividades remotas ou subsidiárias promovidas em caráter emergencial não devem ser comparadas às aulas presenciais, nem pela forma, nem pelo conteúdo. A título de exemplo, uma atividade remota exige outra organização e outra temporalidade, incluindo preparo e objetos distintos, que nada têm a ver com a aula presencial.

a prática docente durante a quarentena

Numa outra perspectiva de análise, essa experiência poderia ser tencionada na direção do enfrentamento da pandemia e das irreparáveis perdas e dificuldades do período.  Assim, seria necessário acumular esforços das redes de ensino para uma pedagogia baseada no diálogo e no fortalecimento da solidariedade. 

Na proposta freireana de educação, o diálogo ou a palavra, em uma avaliação profunda, relaciona ação e reflexão de modo impossível de separar uma dimensão da outra. Conforme revelou Paulo Freire, “não há palavra verdadeira que não seja práxis” (2014, p. 107) – ou seja, não há palavra verdadeira que não compreenda a reflexão da ação em determinado contexto para a transformação da realidade.

Partindo desses pressupostos, as soluções das redes de ensino parecem não pautar o diálogo solidário entre professores, estudantes, familiares e demais funcionários neste momento tão difícil. Por isso, é imprescindível incitar a função social da escola e do seu papel na defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Para todas as crianças e jovens, além de espaço de convivência e desenvolvimento da subjetividade, a escola deve ser um lugar seguro que atende suas necessidades cognitivas e afetivas.

a prática docente durante a quarentena

Em suma, mais importante do que qualquer conteúdo programático devemos valorizar os profissionais da educação que estão na linha de frente desta experiência tão singular. Pois, o contrário afeta a prática docente, distancia as ações da realidade concreta, significativas e relevantes e afasta a escola da sua função mais genuína.



Referências:

  • FREIRE, Paulo. A Pedagogia do Oprimido. 57 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.
  • GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 23 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

Pedagoga

Eliane da Costa Bruini- Pedagoga (UNISAL), mestranda em Educação (EFLCH/UNIFESP), membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Política Educacional e Gestão Escolar (GEPPEGE/UNIFESP) e pesquisadora do projeto “Política Educacional na rede estadual paulista 1995-2018” (FAPESP)


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